Palestra sobre a produção de cidades capitalistas e a dinâmica dos assentamentos informais - Prof.ª Dra. Mercedes Castillo e Prof. Dr. Oscar Suarez

Por Giovanna Duarte e Marina Diógenes


Professores, realizadores e participantes do evento



No dia 04 de novembro de 2014, o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (DAU-UFC), durante a aula da disciplina de Prática Profissional, contou com a presença do  Prof. Dr. Oscar Suarez, engenheiro químico, e da Prof.ª. Dra. Mercedes Castillo, urbanista e economista, da Universidade Nacional de Colômbia, em um diálogo sobre a produção das cidades capitalistas e a dinâmica dos assentamentos informais, com foco nas cidades colombianas de Bogotá e Medellín.

Durante a exposição da professora Mercedes, foi descrito o “Processo Habitat” como uma interação entre a Natureza, a Sociedade e o Indivíduo, e como esse processo está inserido na cidade capitalista. Nesse contexto, a cidade capitalista é caracterizada pelo consumo, pela troca, pela produção e pela distribuição. Essas características se refletem no espaço através da proximidade com o mercado, que gera aglomerações, economia de concentração e, consequentemente, fluxos de pessoas e produtos.

Outro ponto em destaque quanto a cidade capitalista é a diferenciação entre cidade moderna e corbusiana e a cidade globalizada. A primeira estruturada pela divisão em zonas e processos de produção (Taylorismo e Fordismo) fixos em uma zona industrial; e a segunda caracterizada por uma produção terceirizada e distribuída em diversas partes do globo, além do comércio gerado pelas cidades turísticas. 

Bogotá é exemplificada como uma cidade globalizada e segregadora. O discurso da preservação de exemplares arquitetônicos do centro histórico aumentou o valor da terra e expulsou moradores de baixa renda para áreas periféricas ao sul da cidade. Isso foi também o que aconteceu com Cartagena, em que a parte histórica da cidade passou por um período de preservação e reconstrução, tornando o turismo uma das suas  principais atividades, contudo a segregação teve um caráter extremo, a ponto de haver um muro para essa separação. Em Bogotá, a construção de uma via entre o aeroporto da cidade e o centro expulsou moradores de uma ocupação  e reforçou um eixo que separa a cidade entre a zona norte, população de alta renda e do espaço turístico, e a zona sul, população de baixa renda e espaços de assentamentos precários. 

Medellín é caracterizada pela prática do urbanismo social, através de métodos de Acumputura Urbana e investimentos em modais de transporte coletivo. Porém as melhorias são restritas aos primeiros quarteirões do corredor cultural, e a máfia paramilitar ainda é um grave problema na cidade. O uso de bicicletas aumentou e o transporte coletivo foi favorecido com o Trasmilenio, porém já há problemas de superlotação. 

De acordo com pesquisas realizadas pela Profª Mercedes, foi constatado que nas duas cidades a percepção da violência urbana diminuiu, havendo uma maior permanência das pessoas nas ruas, porém não houve grandes mudanças na violência real. Constatou, portanto, o impacto das propagandas e ações estatais na tentativa de modificar a visão da cidade e torná-la mais atrativa principalmente no aspecto turístico. 

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