Estação Mucuripe


Estação Mucuripe

por Carolina Timbó


No mês de julho foi ofertado pelo PET-arquitetura um curso de ArcGis, software que permite a espacialização de dados georreferenciados que podem ser relacionados para criação de mapas e tabelas. Ao término das aulas, realizamos um exercício para fixação dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso. Foi feita, então, a análise dos possíveis impactos causados pelas obras de implantação do VLT (veículo leve sobre trilhos), projeto que integra um conjunto de obras para a o evento da Copa do Mundo 2014, nas áreas ao longo de seu percurso. Dando continuidade ao exercício, iniciado no post do dia 28/08, farei uma análise dos impactos dessa obra no bairro do Mucuripe e as repercussões na vida dos moradores próximos ao local.

A primeira parte do exercício consiste em identificar a estação, no meu caso a do “Mucuripe”, no projeto do VLT encontrado em seu EIA-RIMA. Feito isso, localizei a estação e a desenhei com base em uma imagem georrefenciada. Segue o link para o download da estação em formato KMZ (próprio para ser visualizado no Google Earth) http://www.4shared.com/archive/imbicduu/est_Mucuripe.html
Na segunda parte, superpus as informações sobre as ruas e os setores censitários dos bairros mais atendidos pela estação, no caso os bairros Mucuripe e Vicente Pinzón, e apresentei dados socioeconômicos coletados no Censo IBGE 2010. Esses dados foram utilizados para criar três mapas: Sistema Viário, Domicílios-Casas e Escolaridade, que serão analisados a seguir.

Fig 1. Mapa sistema Viário
 1 – No mapa “Sistema Viário”(fig. 1) vemos que a estação se localiza numa via expressa, que será transformada em um corredor de ônibus, e que próximas à ela passam avenidas de grande fluxo como a Av. dos Jangadeiros, Av. Beira Mar e Av. Abolição. Dentro do raio de caminhabilidade (500m) passam linhas de ônibus para uma grande variedade de bairros, permitindo a integração com o sistema de transporte público já existente. O terminal de ônibus mais próximo da estação é o do Papicu que está a menos de 1,5 km da estação do Mucuripe, não sendo uma distância razoável para deslocamentos à pé.

Fig. 2 Mapa domicílio - casas
2 – No mapa de “Domicílios – Casas”(fig. 2) observamos que próxima à estação existe uma mancha escura que denota alta densidade de moradias tipo casa, indicando a existência de lotes menores, ou seja, famílias de menor poder aquisitivo. Esse aspecto é positivo, pois a camada da população que realmente necessita de transporte público será atendida.

Fig. 3 - Mapa escolaridade
3 - No mapa “Escolaridade” (fig. 3), gerado com dados do censo de 2010, percebemos maiores quantidades de pessoas responsáveis alfabetizadas nas áreas próximas aos bairros Papicu, Varjota e Meireles, de média e alta renda. Em contraponto vemos a escolaridade diminuir na região do bairro Vicente Pinzón, indicando um bairro com população de menor poder aquisitivo. Cruzando essas informações com as do mapa de “Domicílios – Casas” vemos, os dados se complementam, às áreas de menor escolaridade correspondem  os locais com maiores concentrações de domicílios tipo casa, indicando que a tipologia casa ainda é predominante para pessoas de baixa escolaridade.

   
Conclusão

Os megaeventos trazem impactos positivos e negativos para a cidade de Fortaleza, entretanto é necessário pesar esses benefícios e malefícios para avaliarmos se de fato é compensador para uma parcela majoritária da população de uma cidade sediar esse tipo de evento. Esse exercício oferece dados para ajudar nessa avaliação na medida em que podemos compreender melhor a dinâmica socioeconômica em que o projeto rá intervir, propondo políticas de minimização de impactos negativos.

Comentários